sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quem Eu Seria?




Quem eu seria?
Se eu rasgasse minhas roupas, meu figurino,
Se eu tirasse o meu anel, meus brincos,
Se eu esquecesse dos meus planos, dos meus sonhos.

Quem eu seria?
Se minhas máscaras todas caíssem,
Se não fosse meu riso escandaloso,
Se secassem as lágrimas que derramo em silêncio.

Quem eu seria?
Se nada mais me servisse, me coubesse,
Se minha raiva de tudo se calasse,
Se não visse rosas para dar a quem desejo.

Quem eu seria?
Se até minha apatia me fugisse,
Se nada mais me assustasse, me encantasse,
Se minha inocência não voltasse mais pra casa.

Quem ficaria, o que restaria?
Quando o sol não brilhar mais contente,
Nem a lua animar minhas paixões secretas,
Quando me faltar o papel e a caneta.

Mesmo sabendo que tudo gira em minha órbita,
Tudo o que sou, o que desejo, o que vivo.
Quem realmente vive por debaixo dessas coisas?
E eu, quem seria?


Romulo Wagner de Souza
(quadro de 08/2010 - Pastel a Óleo sobre papel 70 x 50cm
Poesia escrita no dia em que o quadro ficou pronto)

Seria o quadro que ilustra a poesia,
Ou a poesia que descreve o quadro?...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fechei Meus Olhos e Segui

Algum vírus me pegou, eu fiquei doente.
Na última noite em que fui sozinho,
Última vez que dormi só, na minha cama.
Dessa vez o suor que a molhava, vinha da febre.

Os dias seguiam e minha febre continuava, delírio.
Mas então em fiquei bem. Talvez no céu.
E lá estava aquele sorriso, aquelas mãos, o corpo.
Qual um anjo zeloso com seus lábios na minha boca.

Eu sorri, eu dancei, eu fiz amor com ela.
Eu finalmente ganhei a menina dos meus sonhos.
Eu me casei segunda-feira, com os pés na praia,
Eu fechei meus olhos e segui com ela.

Meu silêncio durou semanas, outra vida,
Como que buscando acreditar no que eu via.
Ela é meu par, minha esposa, minha melhor amiga.
Mesmo agora que estou distante, ela me espera em casa.

Porque nós dois acreditamos, e desafiamos a todos,
Porque vencemos a nós mesmos, nossos medos,
Hoje nós vivemos juntos, tudo se tornou real,
Qual recompensa justa de quem não foge de si.

Inauguramos um novo lar, uma nova vida dentro da vida.
Rimos de tudo - casal sensação! Sensação de ser assim,
Sem saber falar, sem entender, sem querer dizer,
Somos mais do que somos, mais que sabemos.

Sou seu par nessa festa, pra sempre!
Porque eu sempre esperei essa música,
Porque eu sei porque estou com ela,
Porque eu fechei meus olhos e segui.


Romulo Wagner de Souza

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Eu e Ela

Eu comecei o dia sem saber se ainda dormia,
Tão cedo ela já estava em minha casa.
E as horas seguintes correram suaves,
Despidos de nossas roupas e de nossos medos.

Tua língua dançava com a minha, enquanto
Minhas mãos descobriam cada contorno
Do teu corpo, tuas pernas, teus seios.
Tinha urgência de te ter, de estar em você.

Uma vez lançada ao ar, ao vento, para o céu,
A flecha jamais retorna ao arco, nunca volta.
E é assim que sabemos o que está feito,
Criamos nosso próprio universo, nosso espaço.

Talvez eu nem pudesse acreditar, não conseguiria,
Não fosse o cheiro dela que ficou, sem cerimônia,
No meu lençol, no travesseiro, na cama úmida.
Ou os fios do seu cabelo no meu corpo, minha roupa.

Eu me encharquei de você, do teu prazer, teu amor.
Eu vesti a tua pele, me hospedei no teu corpo.
Eu confundi minha própria respiração com a tua,
Explodimos tudo que sentimos, criamos um mundo.

E depois ela dormiu suave, com um sorriso.
E eu já não cabia no meu quarto, fiquei gigante
Com ela se confortando meiga no meu peito,
Naquele instante o tempo parou e eu descobri a plenitude.

Ela já é minha mulher tanto quanto sou seu homem,
O tempo já corre agora a nosso favor, nossa alegria.
Nossos planos são conversas de todos os dias,
E cada um deles já se faz mais próximo, tão visível.


Romulo Wagner de Souza

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sussurro

Por haver noites como esta,
Esse instante em que você repousa
Tranquila e solta no meu peito.
Seu sorriso misturado à sua voz,
Falando baixo, tão perto de mim.

Por essa alegria, esse contentamento.
Essa sensação lúdica de cócegas
Na alma, no coração, dentro de mim.
Eu amo tanto você, que não caibo em mim,
E nunca vou amar menos do que amo hoje.


Romulo Wagner de Souza

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Equilíbrio

Tento agora pintar um quadro novo,
Com mais atenção aos traços,
E consciência do que estou criando.
Deslizo minhas mãos sem pressa
Por sobre o espaço vazio do bidimensional,
Com a fé de quem começa a esboçar
Momentos mais lúcidos, mais reais,
Mais leves, mais inspirados.


Romulo Wagner de Souza

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Com Ela

Ela tem esse olhar, esse jeito assim
De ser teimosa e delicada, de ser sincera.
Tem esse encanto ou essa energia
Que faz tudo ao meu redor ficar em paz.

É uma brisa leve que me sopra o rosto,
Um sol tranquilo que me cerca a pele.
Com ela eu fico assim contente, risonho.
Ela olha pra mim, e eu já fico leve.

Ela combina com a minha casa, meu lar.
Minha casa já não é minha, não é só minha.
Com ela as minhas horas são mais alegres,
O tempo que passa corre jocoso e apressado.

Que loucura linda essa nossa, que laço!
Reinventamos nossas vidas num giro completo,
Ela já faz parte dos meus dias, já está em tudo.
Quase não me lembro como era antes disso.

Ela tem o silêncio que me deixa mudo,
O sorriso que é a minha gentil perdição,
O olhar doce, direto, profundo, negro.
Com ela eu quero ser melhor, fazer mais.

Quero amar essa moça pelos próximos anos,
Pelos verões todos até os últimos dias.
Quero escrever com ela o roteiro, o trajeto
Dos próximos tempos que virão para nós.

E nós sabemos que já vencemos!
São as últimas linhas e palavras desse capítulo.
Eu já estou com ela tanto quanto ela comigo,
Já nos rendemos a tudo que sabemos que sentimos.


Romulo Wagner de Souza

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Breve Nota - Romulo

Caros amigos,

Apenas para ficar registrado, quero dizer que postei a poesia "Eu Costumava Brincar na Chuva" (escrita em 2003), para lembrar e mim mesmo do quanto a vida se transforma, se refaz, se regenera.

Assim como qualquer outra pessoa, que tenha tido o mínimo de experiências na vida, eu também tive momentos tristes, de não acreditar no amor, na felicidade, na realização de sonhos que não dependem de dinheiro, mas de simples e sinceros afetos entre as pessoas.

O momento que eu vivo hoje nada tem a ver com aquela época de 2003. Sei que tudo isso parece muito piegas, inclusive o fato de eu estar escrevendo isso agora. Mas quem não fica um pouco piegas quando fala de amor?

Enfim, quero dizer que estou entrando no momento mais feliz dessa minha existência, o mais completo, o mais bonito.
Eu poderia dizer que isso se deve ao fato de hoje eu ser mais maduro, mais experiente, mais vivido, mas esse não é caso...
O motivo dessa minha felicidade, que está a ponto de explodir, é uma mulher! Sim, uma mulher!
Eu a conheci há mais de 15 anos, e só nos últimos 3 meses ela transformou minha vida.

Eu gostaria de contagiar a todos que eu pudesse com essa fé no amor! Dizer a todos que vale a pena acreditar, que essas grandes histórias de amor que ouvimos, ou que vemos na TV, também podem acontecer na vida real. Gostaria de dizer a todos que não se contentassem com pouco, que a vida (com amor) pode ser muito maior, muito mais bonita.

Eu fiz as pazes com a vida, com o amor, comigo mesmo!

Então turma, vamos acreditar nos nossos sonhos, nos nossos amores, acreditar naqueles amores que sempre sonhamos - eles podem acontecer!

Desejo a todos vocês essa mesma alegria que eu sinto agora!

E a você, Raquel, quero deixar aqui o meu "Muito Obrigado".
Obrigado por voltar à minha vida tanto tempo depois, e por permitir que entrasse mais uma vez na tua. Obrigado pela coragem que você está tendo para mudar toda a tua rotina para enfim estar ao meu lado, também por isso eu te admiro muito.

E acima de tudo, obrigado por ser a mulher da minha vida!

Eu amo você, Raquel!

Abraços a todos!

Romulo

Eu Costumava Brincar na Chuva

Dizem que isso não acontece,
Mas um raio caiu em mim duas vezes,
E agora, eu tenho medo da chuva.

A trégua é escassa,
A luta é difícil,
Por isso hoje, eu para só para contar
As feridas que terei de fechar.

E enquanto isso,
Vou aprendendo a viver sem esperar por ela,
Sem imaginar um rosto,
Sem saber se envelheceu.

Meu únicos amigos
São ainda invisíveis para mim,
Por isso hoje eu me distraio falando sozinho,
Com seres que eu apenas sinto.

Não sou anjo.
Fui vítima, mas sei que também fui algoz.
Eu fracassei no que me era mais sagrado.
Por isso hoje eu finjo não lembrar.

Não tenho palavras para escrever,
Nem sonhos para poetizar.
Minha ilusão eu já vivi,
Por isso hoje ela deixou de ser real.

Não sou vampiro,
Fiquei frio apenas porque doei o calor que tinha.
Não tenho ânimo para jogar, minha sede logo passa,
Por isso hoje eu já não faço truques novos.

Tenho medo de não sei o quê,
Vontade de ficar,
E pressa de sair,
De correr.

Não sou um pierrot.
Há muito perdi minha inocência,
Minha fé em você.
Por isso eu já não posso dar o que não possuo.

E enquanto nada disso passa,
Eu observo o vazio que me escraviza.
Lembro de como fui um dia,
E tudo isso me parece tão distante.

Por isso hoje, quando me recordo,
Acredito estar apenas ouvindo
À história de alguém que sorria,
E dançava... Na chuva.


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita em 2003)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

90 Dias

Eu não saberia falar de 90 dias,
Passaram todos tão depressa.
Mas lembro bem de 90 noites,
Foram poucas as que eu dormi.

Ela inverteu meu calendário,
Eu torci para a segunda chegar.
Falei com ela todos esses dias,
Tenho cada conversa na memória.

As noites foram bem mais longas.
O seu cheiro me seguia pela casa,
Enquanto eu escrevia sobre nós dois,
Em mais um texto, mais uma poesia.

Mas quanto cabe em 90 dias?
Quanto amor, sonho, quanto desejo?
Foi uma odisséia em 12 semanas,
E agora sorrimos um para o outro.

Nosso universo girou mais rápido,
Permitiu que tanto acontecesse,
Num intervalo breve de 3 meses,
Nós mudamos toda a nossa vida!

Mas 90 dias é pouco, é pouco!
Quero multiplicado pelas minhas vidas,
Pelos sorrisos dela que eu quero ver,
Nos tantos anos que o tempo me emprestar.

Quero enfim dizer que sou grato,
Pelo sorriso de covinhas que disparou
Quando me viu entrar na sala, naquela tarde.
Pelo toque na mão, pelo beijo roubado.

Já esperamos demais por esse momento.
A próxima valsa é a nossa, é a nossa vez.
Então somos enfim um par, dois parceiros,
E te convido a dançar comigo por mais 90 anos.


Romulo Wagner de Souza

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Parte de Mim (e Ela)

Parte de mim quer correr, quer gritar,
Quer dizer a todos que nós vencemos, que conseguimos.
A outra quer ficar em silêncio, quer esperar,
Reclamando uma prudência que eu nunca tive.

Parte de mim está em êxtase, em delírio,
Já sentindo o primeiro gosto da conquista.
A outra ainda guarda os últimos medos,
Espera uma confirmação em alguns segundos.

E quem é ela nessa hora?
Será que perdi alguma parte do texto,
Ou de fato ela se transformou numa nova ela?
Será outra criatura, ou apenas outro perfil
De um rosto tão conhecido, e agora tão novo?
Antes a hesitação, mas agora o ímpeto.
Antes a inércia, mas agora uma explosão cinética.
Finalmente você joga do meu lado!

Parte de mim ri a toa, suspira,
Já enxerga a moça no meu dia, na minha rotina.
A outra está paralisada, tremendo,
Ensaiando a ousadia de te dizer minha.

Parte de mim diz que o jogo acabou.
Quer correr logo ao seu abraço, reclamar seu prêmio.
A outra sonha ainda algum pó mágico,
Que avance o tempo, e te faça logo minha.

Mas esse tempo já correu pra você!
Não é mais aquela de semanas atrás, tão a deriva.
Parece mais aquela de tantos anos, eu já vi esse olhar!
E como se tudo já não bastasse, não encerrasse tudo,
Agora me apaixono também pela sua força, resoluta!
É o último silêncio eufórico, antes da erupção do grito,
A contração concentrada das pernas, antes do grande salto,
Somos nós dois nos preparando para enfim voarmos,
Somos nós dois ficando juntos a partir da próxima esquina.


Romulo Wagner de Souza

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Neste Momento

Não estou bem certo de onde estou.
Ainda a um passo ou dois do meu sonho,
E já tão distante e alheio ao que me dói.
E neste momento, tudo que sinto é paz.

Talvez numa fenda do tempo, numa entrelinha.
Na pausa entre duas notas da sinfonia,
Do tempo que correu mais rápido para ela,
E acalmou o compasso do meu batimento.

Penso que seja apenas um gole, um trago,
Qualquer coisa doce que eu beba dos seus lábios.
Deve ser isso que me deixa assim contente,
Embriagado de uma luz que apenas se inicia.

"Será que você consegue fazer isso todo dia?"
Foi o que ela me perguntou num sorriso.
Mas na verdade sou eu quem quer saber,
Que tipo de mágica traz o seu cheiro sempre e mim.

Quantas palavras cabem no silêncio de um segundo?
Quantos textos calados naquele olhar feliz?
O que dizem suas mãos ao passearem nas minhas?
E o seu arrepio, o seu pescoço, do que comentam?

Pudesse eu congelar aquele instante.
Transportar essa paz para amanhã, e depois, e depois.
Nada me falta, mesmo sabendo que ainda vimos tão pouco,
Pertenço àquela que já adivinho ser minha.

Um dia eu vou te contar a nossa história, guria.
Fazer você se lembrar de onde eu vim, ou viemos.
Vou falar das vozes que ouço quando estou sozinho,
E de todas as lembranças que eu tenho de você.

Vamos aumentar versos, textos e imagens,
Aos novos capítulos que ainda não escrevemos,
À página em branco que se descortina em nós,
Ao tempo de ventura que inauguramos agora.

Eu estou paz, estou comigo e com você.
Nós já somos o que somos, e o resto há de vir.
Confio na força que você traz no olhar,
Acredito em você e no que sentimos juntos.


Romulo Wagner de Souza

O Ponto

há um Ponto Pardo na Parede mórbida.
Parado, Pensando.
há um Paranoico Perdido,
Pedindo.
o Pêndulo Podre Pendura as horas em repouso,
Pedante, Patético.
há uma Porta Perto daqui,
nas Pálpebras, nas Profundezas.
Paixão - Prato do Paraíso,
Pureza - Praga Profana.
Pena que sou isso
vampiro, apaixonado.
Pena que me Perdi,
não vi o Princípio da Paisagem.
hipocrisia,
Pombos que voam Para o mar,
Para o norte,
Para a sul,
Para sempre.
Pose Perfeita,
Perplexa,
Pairando em Pleno Pico.
e o Plebeu Pulou da Ponte,
caiu num Pântano Preto,
Passeou junto ao Povo em Pânico,
respirou Profundo,
sentiu o Perfume Por entre os Pêlos das Pernas dela.
Pacífico apelo da Prática de não Poder saber Porquê.
mas não Precisa Perguntar,
pois aprendeu,
no apático e triste olhar do Palhaço,
como viver apenas Por um impulso qualquer que vem ao Peito,
que faz sentir.
e Por fim Para ter a
Palavra de Prata,
que escorrega da boca,
dispersa no ar,
Paira nos arredores,
Penetra as orelhas,
vibra os tímpanos,
Pousa no cérebro,
Pulsa sangue,
Paixão,
Puxa o gozo,
Pecado.
Perdão Por ter Prazer,
Por ter amado
estando Puramente
Apaixonado.


Romulo Wagner de Souza
(poesia concreta, escrita em 2003)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sem Fantasia

Eu já aprendi que contos de fada não existem.
Que a vida é dura, e que dela ninguém escapa.
Já me disseram para não levar os sonhos a sério,
Que amanhã outro dia vem, e tudo fica igual.

Já me convenceram que eu deveria ser sóbrio,
Parar de falar sozinho, e de rir comigo mesmo.
Deram certeza de que o amor é uma fábula,
E que princesas e príncipes são todos sapos.

E me disseram que eu ainda cairia curvado,
Debruçado nas folhas amassadas dos meus versos.
Eu ouvi tudo em silêncio, sorri, e tratei de esquecer.
Eu tenho pressa, vou correndo ao meu encontro!

Garota é melhor você decidir logo, rápido,
Antes que eu mesmo vire abóbora aos seus pés!
Sem carruagem, sem escudo e sem espada,
E ainda sou o teu cavaleiro do tronco oco.

Rasgue meu corpo em mil pedaços, e jogue
Para fora da tua janela numa noite como essa.
E logo cedo, pela manhã eu volto multiplicado,
Nas milhares gotas dessa chuva leve e surreal.

Você é tão maluca quanto eu! Tão insana!
Apenas perdeu a prática de andar no teto,
De correr nas nuvens do teu sonho, de sorrir,
De costurar os retalhos da tua vida e do teu amor.

Você não é como ele, é simplesmente igual a mim!
É o teu nome que ecoa quando se grita o meu.
Do teu amor eu sou a cama macia e o arrepio nas costas,
Da minha alegria você é a risada mais alta e insistente.

Nada mais normal que lhe propor uma loucura.
De esquecermos o caminho de casa, e corrermos na garoa,
Deixarmos de lado esse excesso de bom senso e certeza,
E corrermos apenas o risco de ficarmos bem.

Sou o homem do chapéu de lado, sou o mágico,
O encantador das feras, o trapezista, o palhaço.
Sou apenas eu mesmo e todos mais que você quiser,
Sou aquele que lhe convida a fugir de você mesma,
E ser feliz comigo!


Romulo Wagner de Souza

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Fosse esse o Primeiro, Fosse esse o Último

Fosse esse o primeiro momento que te visse,
Eu iria ao parque mais cedo, chegaria antes.
Diria logo ao te encontrar que seria sempre minha,
E que eu jamais poderia fugir de você, do teu olhar.

Fosse esse o último momento que te encontrasse,
Eu diria já partir sentindo tua falta, que teria sido pouco.
Retardaria a minha ida, e buscaria levar você em mim,
Diria que cada instante teria valido a pena.

Fosse esse o primeiro adeus que tivesse de dizer,
Eu avisaria que seria inútil, que de nada adiantaria.
Que eu ainda te encontraria em outros parques da vida,
E que amar você já seria meu vício e minha virtude.

Fosse essa a última vez a me despedir,
Eu deixaria claro que lhe esperaria do outro lado.
Que com outro nome, outro rosto, e num outro plano,
O meu amor seria sempre o mesmo, como já havia sido.

Fosse esse o primeiro susto, a primeira dor,
E seguraria tua mão mais forte, diria que logo passaria.
Acalmaria você com a minha força, com o meu prazer,
Tocaria teu corpo no escuro da tua casa vazia.

Fosse essa a última dança adiada, a última espera,
Eu sairia agora gritando que finalmente é meu par.
No instante seguinte eu seria teu, e te faria logo minha,
Eu encheria o teu ventre com a nossa vida, nossos sonhos.

Mas estamos sempre entre o primeiro e o último,
Nesse mar irônico que te traz e te afasta de mim.
Sempre entre o sono e a vigília, entre o olá e o adeus,
Num instante surreal entre antes e depois, e que ainda não é agora.

Vou romper o espaço e desafiar o tempo,
Vou tirar você de sua prisão concreta, e invadir o teu corpo, teu castelo.
Vou impregnar minha vida do teu sorriso, vou roubar teu sono,
Vou dizer que de nada vale fugir, e que não há como estar mais perto.
Vou fundir o nosso olhar, nossa voz, e nossas línguas,
Vou dançar com você e vou enfim te amar em paz.


Romulo Wagner de Souza

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Se Você Deixar

Eu invado teus sonhos e teus desejos,
Pinto teus dias com a cor que mais gostar.
Eu visto minha armadura dourada,
E te salvo de qualquer hora de tédio.

Se você deixar,

Eu fico aqui esperando até que você venha,
Conto as estrelas dessa noite, e escolho uma pra te dar.
Faço você rir ao telefone com as nossas bobagens,
E te ajudo a lembrar do quanto tudo é simples.

Se você deixar,

Eu abro um vazio no tempo, e volto 15 anos,
E te encontro num parque, e te olho nos olhos.
Eu canto pra você no escuro, até dormir,
E te acordo minutos antes do primeiro orgasmo.

Se você deixar,

Eu armo acampamento na tua vida, no teu jardim,
Faço chover sobre você um dilúvio de poesia.
Eu te entrego flores mais belas que as próprias flores,
E faço o mundo parar no instante do teu silêncio.

Se você deixar,

Eu chego até você e continuo onde estou,
Mostro toda a minha força e minha fraqueza.
Eu faço esse momento se estender por anos,
E me invento todo dia pra te fazer feliz.

Se você deixar,

Eu te levo para um lugar bem longe,
Deixo pra trás o que te assusta e te incomoda.
Crio com você um universo que seja nosso,
Cerco nós dois de ventos de alegria.

Esse amor deixa de ser história,
Salta das páginas dos meus textos, e se faz tangível.
Você vira minha senhora, e eu lhe trago a Sofia com o teu sorriso,
Esquecemos tudo que já não serve, e decidimos só amar,

Se você deixar...


Romulo Wagner de Souza

domingo, 22 de agosto de 2010

Felling Blue





Romulo Wagner de Souza
(lápis aquarela sobre papel - 2001)

Sinto sua Falta

Você que foi embora antes do dia nascer,
Que me tirou do teu caminho antes de saber quem eu era.
Que acordou antes do sonho começar,
Que esqueceu de mim antes de me conhecer.

Sinto sua falta.

Você fechou os olhos antes de me ver,
Partiu antes que pudesse me ouvir,
Saiu da mesa antes de tirar as cartas.
Tão cedo ou tão tarde você disse adeus.

Sinto sua falta.

Mesmo sabendo que essa loucura é minha,
Existe algo em mim que não quer que seja assim.
Mais um sonho não sonhado, mais um amor não vivido.
Sem começo, sem meio, e mesmo assim sem fim.

Sinto sua falta.

Em cada olhar das fotos que roubei.
Em cada abraço que o teu tempo me negou.
Em cada sorriso, cada suor,
Em cada lágrima que eu não vi.

Sinto sua falta.

Porque minha visita foi rápida demais.
Porque cheguei muito cedo, ou demorei dez anos.
Porque a língua que eu falo você já não entende.
Porque o sonhou virou lembrança.

Você não dançou comigo,
Mas ainda assim, mesmo sem saber como posso,
Sinto sua falta.


Romulo Wagner de Souza

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Minha Casa, Sofia e a Vida

As folhas secas cobriram a grama do meu jardim,
Mas por ora eu já não tenho forças para juntá-las.
Foi um vento triste que soprou meus sonhos,
Derrubou meus quadros e meus encantos das paredes.

Ah Sofia, se você pode me ouvir,
Não venha agora para a casa do seu velho.
A Vida se fez tão cruel, tão fria e tão amarga,
Só deixou desordem na minha sala e no quarto.

Vou sair por uns tempos, uns dias, semanas.
Se você pode me ver, melhor agora que feche os olhos.
Juro que ainda volto a ser quem sou,
Mas agora vou buscar alguma coisa que me distraia.

Perdi todas as apostas, Sofia. Eu caí de novo!
Agora só me resta esquecer, correr para longe.
Não se trata de coragem, ou força, ou opção,
Mas já aprendi que tudo segue sempre em frente.

Parar é uma ilusão que a nossa arrogância cria,
O universo continua sempre sua viagem, seu caminho.
Se me vendi, sei que o fiz de coração aberto,
Sincero como as palavras e lágrimas que derramo agora.

A Vida não só me magoou, mas me ofendeu demais.
Ela disse preferir me perder, me deixar partir.
Será que sabe que é tão vítima quanto eu?
Pouco importa, já que escolheu não enxergar.

Minha casa perdeu o endereço, Sofia.
Melhor mesmo que você não venha.
Até que possa pensar numa nova rota,
Até que eu tenha outro nome para te chamar.

A Vida se fez pequena na minha vida.
Desmentiu a si mesma e a mim, e aos meus textos.
Quebrou as cordas do meu violino, rasgou meus desenhos,
E facilmente fez minha vida e minhas telas perderem a cor.


Romulo Wagner de Souza

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Último Grito

Volto agora para casa, e pelo caminho,
Junto os pedaços meus que deixei cair.
Já exorcizei os meus demônios,
Já admiti os meus enganos.

Os cães rosnam no escuro do meu porão,
Enquanto tento encontrar paz no meu jantar.
Eu já caí tantas vezes,
Que já sei que cedo ou tarde vou me levantar.

Vou seguir o meu caminho com esse sorriso torto,
Sorriso amarelo de quem cansou de chorar.
Vou colocar asas nos meus pés, e correr para longe,
Quero logo estar distante do que eu vivi.

Deixo a ela a minha lembrança,
Deixo a ela o meu fantasma triste,
Que escondido em algum canto de sua memória,
Possa às vezes lembrá-la de como teria sido.

Ela me enganou mais uma vez,
Ou desta vez fui eu que me enganei.
Um cego, uma prisioneira de si, e um sonhador distraído,
Três vidas machucadas pela mesma pessoa apática.

Ele não a ganhou, não será menos infeliz do que já é.
Ela ficou muda, me vendo partir no mesmo silêncio.
Eu mais uma vez perdi o que nunca tive comigo.
E somos todos vítimas de uma mesma covardia.

Mais uma vez eu me vendi por tão pouco,
Vou então cobrar o troco barato que me restou.
Vou continuar andando, vou seguir em frente,
Sei que as lágrimas uma hora se cansam de cair.

Volto agora para casa, e pelo caminho,
Junto os pedaços meus que deixei cair.
Já exorcizei os meus demônios,
Já admiti a minha aposta frustrada.


Romulo Wagner de Souza

Noite Fria

É noite, tudo está quieto.
Certamente você dorme,
E enquanto isso,
Rouba meu sono, minha paz.
Não consigo dormir,
Então saio pelas ruas para ver o céu,
E neste momento as estrelas paracem escrever seu nome.
Fico imaginando quais são seus sonhos,
E o que eu não daria para fazer parte deles.
Esta noite de verão é mais fria que qualquer inverno,
Já que você não está aqui.
Volto para casa,
Novamente tento dormir,
Mas o silêncio me distrai.
Imagino sua sombra nos cantos do meu quarto,
Acredito ouvir sua voz,
Mas não é verdade, eu sei.
Então chove nessa noite que não sei se sou feliz
Por estar apaixonado,
Ou triste,
Por estar só.
Queria lhe fazer um poema,
Mas como encontrar as palavras certas
Para descrever o que sinto agora?
Então fico aqui,
Trancado entre quatro paredes,
Vivendo uma paixão quase secreta.
Beijo você no escuro,
Acendo as luzes,
E percebo que era só a brisa da manhã.
Já é dia, é hora de acordar,
E mais uma vez que sequer consegui dormir.


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita em 1999)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Em Paz Comigo

Vou colocar a cara na janela,
Quero ver a banda passar.
Quero ver a menina que dança,
E dribla nos seus passos leves
A dor que um dia eu também senti.

Eu já dei a cara pra bater.
Já paguei pra ver tantas vezes,
Um preço quase sempre alto.
Já me expus, já cantei meus versos.
Já fiquei noites demais sem dormir.

Mas tudo bem, eu estou em paz.
Vou agora sair na rua chutando lata.
Sem pressa, sem destino.
Os meus dados eu já lancei,
E agora não espero, e nem desisto.

Vou cantar na sua janela só mais uma vez,
Minha última serenata.
Meu violino desafinado ficou surdo,
Cansou de falar sozinho no escuro.
Acho que hoje eu vou pra casa mais cedo.

Vou cuidar de mim só um pouco,
Buscar alguma paz que me console.
Já falei e já fiz tudo o que podia.
O próximo passo não é meu,
Eu já fui mais longe do que devia.

Vou dar um descanso ao meu coração,
Mesmo que eu volte pra casa sozinho.
Perdi o medo de mostrar meu medo,
De precisar de mãos que me afaguem.
Eu sei que também choro, também sinto frio.

Vou colocar a cara na janela.
Quero ver a banda passar.
Quero ver a menina que dança,
E dribla nos seus passos leves
A dor que um dia eu também senti.


Romulo Wagner de Souza

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Quem é Ela?

Eu me pergunto,
E repito a mesma pergunta tantas vezes.
Qual um mantra que me coloca em transe,
Falo sozinho, no espelho da minha sala,
Quem é ela?

Ela foi minha paixão de menino,
Primeiro desejo consciente do meu corpo.
O motivo das primeiras poesias, tão acanhadas,
Das declarações que eu fazia com a voz tão presa.
Quem é ela?

Já foi o pensamento que eu mantinha guardado,
E sempre, a cada queda, era para quem eu voltava,
Dentro de mim, nos meus sonhos,
Qual se fosse um porto seguro que só eu enxergava,
E quem é ela?

Eu pensava estar tristemente vacinado,
Imune a essas surpresas tão suaves que vida prepara.
E bastou um olhar, um abraço, e meia dúzia de palavras,
Para mais uma vez eu estar apaixonado, de novo por ela.
Mas quem é ela?

Falo por horas ao telefone, como se fossem minutos,
E quando finalmente tenho coragem de desligar,
Fico sempre incomodado, pensando ter dito quase nada.
Não ter falado desse amor que tanto sinto.
Quem é ela?

Ela fala dos meus sonhos como se fossem os dela,
Qual de nós estará dormindo?
E uma onda de paz sempre me invade quando ouço a sua voz,
Contrastando a angústia que sempre sinto na sua ausência.
Quem é ela?

Já virou meu vício, minha dose diária de alegria.
Conto os minutos para fazer contato,
Tentando ao mesmo tempo resistir à vontade de estar perto.
Porque ainda não podemos, ainda não estamos soltos,
E quem é ela?

É meu amor, meu sonho, meu alívio.
Seu sorriso me envaidece,
Dizendo que sou o mais afortunado dos homens.
Fico leve com ela nos meus braços, no meu colo,
Fico gigante quando me perco no seu olhar.
Sonho com ela todas as noites que consigo dormir,
E quando acordo, é sempre o primeiro pensamento que me vem.
Alterno entre as coisas do meu dia, e a lembrança do seu rosto,
Penso ter sua voz já gravada em mim, assim como seu cheiro.
Vejo seus lábios mesmo no escuro.
Sua ausência e seu silêncio sempre me maltratam,
Enquanto querer ser dela é uma expressão de amor próprio.
Parece simples, parece óbvio?
Então diga você, que me ouve ou que me lê,
Quem é ela?


Romulo Wagner de Souza

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Devaneios na Madrugada

Cai a noite, como véu de dança sobre nossas cabeças.
E enquanto o céu fica escuro, outros corpos brilham mais.
De onde será que você veio?
Há devaneios na madrugada,
Quando cercado por quatro paredes, ele jura voar além.

Perto dali nada acontece,
Senão o silêncio quase pacato da noite que avança sem direção.
E este por vezes há de ser quebrado por gemidos fortes, em pleno salto
Dos amantes que não são menos cúmplices da magia que paira nas esquinas.

Há devaneios na madrugada,
É assim que me sinto bem, e este há de ser o meu tempo, o nosso tempo.
Então logo ao te encontrar eu vejo
Que somos parte fundamental da paisagem nova que se espalha calada.
Ali, feito crianças, frente à nossa própria natureza.
Tão expostos e tão sensíveis, tão maduros,
Iluminados por bilhôes de luzes cósmicas
Que vieram de tão longe, só para ver o quanto você é linda.

Há devaneios na madrugada.
E por isso eu lhe digo, minha mulher dos astros,
Que natural seria, se todas as outras estrelas fossem flashes
A piscar e documentar a tua beleza nua.
Quanto a mim,
Eu sou filho da Terra, presenteado pelo céu,
Ao qual me atrevo erguer os olhos para apreciar a luz
Que me lembra o teu rosto.

Há devaneios na madrugada,
E isso me faz bem.
Mas sei que não vou encontrar brisa que me toque as costas
Como as tuas mãos o fazem.
Sei que não haverá aconchego, mesmo em meio às estrelas,
Que me traga mais conforto que o teu abraço.
Não haverá eclipse, ou chuva de meteoros,
Que me mereça mais atenção do observador,
Que o fenômeno único do teu sorriso.

Há devaneios na madrugada.
E já que estou aqui, sem tua presença física ao meu lado,
Eu sonho acordado com o teu cheiro em minha mente,
Pensando em você, que é mulher de luz, que agora brinca e baila no universo,
Fazendo com que todo os resto seja apenas um detalhe
Do teu próprio espetáculo.
E neste momento eu vejo que todas as outras luzes
Só existem para te insinuar em silêncio.


Romulo Wagner de Souza

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Esperamos

Quem não ousa duvidar de suas convicções,
É porque tem medo de descobrir a verdade.
Quem não ousa rever os caminhos que tomou,
É porque tem medo de se descobrir perdido.

Esperamos o próximo dia de sol,
Para então sairmos na rua com aquela roupa nova.
Esperamos que alguém nos sorria,
Para então desamarrarmos nossa cara trancada.

Esperamos que tudo esteja em seu lugar,
Esperamos ganhar mais dinheiro, estarmos seguros,
Para então retomarmos nossos sonhos,
Fazermos enfim aquela viagem, e sermos felizes.

A espera é o torpe diário da nossa coragem.
Artifício triste que nos mantém parados.
Âncora podre que nos deixa atracados
A uma zona de conforto que não traz conforto.

Esperamos que o outro nos ligue, diga que nos ama,
Para não sermos o primeiro a abrir o coração, o sorriso.
Esperamos ter certeza do que fazer, do que é seguro,
Para não corrermos o risco de um único passo em falso.

Esperamos por um momento ideal que não existe,
Argumento criado para dar força à nossa inércia.
Tiramos de nós mesmos a necessidade de agir,
Esquecendo que a dúvida é um presente da liberdade.

Eu não quero mais esperar!
Vou sair ainda hoje em busca do meu destino,
E se não encontrá-lo, vou fazê-lo eu mesmo!
Se o momento ideal não existe,
Vou fazer com que ele seja este que acontece agora.
Acredito no que sinto, mais do que no que penso saber.
Não vou mais adiar minha alegria!
Nem esperar por uma condição de fantasia,
Onde tudo esteja pronto, diante dos meus olhos,
E a mim só reste o trabalho de dizer... Sim.


Romulo Wagner de Souza

domingo, 8 de agosto de 2010

Canção ao Homem que Amei

Lamento você ter partido tão cedo.
Eu queria ter ficado um pouco mais velho ao teu lado.
Lamento não ter falado mais das minhas frustrações,
Das minhas alegrias.

Ainda hoje eu choro, me emociono.
Não com aquele peso das tuas últimas horas,
Mas com o pesar de saber que vivi pouco com você.
Eu era só um garoto, você lembra?

Pai, hoje eu sou um homem!
Venho há anos lutando minha própria guerra.
E só há pouco pude entender as coisas
Que antes você fazia, e eu não via sentido.

Hoje eu sonho em ter meus filhos.
Netos que você não poderá abraçar.
Mas eu é queria voltar a ser menino,
Pra me deitar ao teu lado, vendo qualquer coisa na TV.

Obrigado por me levar para dormir na cama,
Nos teus braços fortes, que eu sonhava em ter iguais.
Desculpe ter demorado tanto
Para perceber o quanto aquilo era especial.

Sinto tua falta.
E discretamente me alegro,
Quando percebo e mim
Os gestos que eu sempre soube que eram teus.

Será que você volta?
Talvez disfarçado nesse filho que eu tanto sonho?
Serei eu agora a te pegar no colo,
A preparar o teu almoço, ou o teu jantar?

Eu te amo, Pai!
E sei que nestes anos todos você esteve também comigo,
Talvez mais próximo do que antes de partir.
Saudades... Teu filho!


Romulo Wagner de Souza
(pequena homenagem ao meu pai, desencarnado há 13 anos)

Take Care of Your Love




Romulo Wagner de Souza
(estudo em pastel oleoso, lápis aquarela e grafite sobre papel - 40 x 60cm - 02/2002)

sábado, 7 de agosto de 2010

Não Morra Esta Noite

Os dados serão lançados,
Numa mesa qualquer deste cassino,
Que muitos chamam de vida.
Então, não morra esta noite!

Sei que o poeta já não sabe se expressar,
Sei que a música às vezes fica muda
Mas não morra esta noite,
Não antes de jogar comigo!

Aqui, a roleta quase sempre é russa,
Mas às vezes não há balas no tambor,
E foi apenas um susto.
Não morra esta noite,
Mesmo que o céu se feche,
Mesmo que as crenças caiam.
Se tua casa é tão louca quanto a minha
Não deixe de tentar,
E não tenha medo de parecer
De parecer inconsequente.

Afinal, tudo nessa vida é jogo,
É um teatro de vampiros,
Um circo de pulgas.
Toda ilusão é real enquanto vivida,
E outra música ainda será cantada,
E outros motivos ainda hão de levá-la
À mesa de cartas.

Onde todas elas são iguais,
Mas às vezes, o coringa aparece.
De minha dama, não tenho nem sinal,
Pois sempre o valete malvado vem antes.
Mas não me importo,
Ainda sou o mesmo jogador compulsivo,
O mesmo louco, apaixonado pela vida.

Não morra esta noite,
Porque fomos jogados aqui
Sem saber porquê, pra quê...
Então até que o Dono do cassino nos expulse
Aposte sem parar, pois o jogo há de virar,
Você vai ver!

Até lá ficamos assim,
Jogando por pequenos breves prêmios,
Como paz, amor, amizade.
Se vencer, valeu!
Se perder, o que vale é a emoção do jogo,
E sem emoção não dá!

Então não deixe de tentar,
Não deixe de sonhar,
Não desista de apostar,
Não desista de amar,
E por favor, não deseje
Morrer esta noite.


Romulo Wagner de Souza

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Introdução à Trilogia "O Vampiro Triste"

Esta foi a única vez que desenvolvi uma ideia, dividindo a mesma em 3 diferentes poemas.
A trilogia "O Vampiro Triste" foi escrita dentro de um intervalo de 1 ano (entre a primeira e última), e era a primeira vez que eu escrevia sobre a suposta "perda da inocência".
Trata-se de um monólogo, onde se confronta a frieza com a inocência, a superficialidade com a necessidade de sentimentos verdadeiros. Em resumo - uma grande insatisfação.

O poema "O Vampiro Triste" abre a trilogia, e foi escrito em agosto de 2000, quando eu fazia minha primeira viagem internacional. Eu estava numa cidade chamada Weirtheim, no sul da Alemanha. Da janela do quarto onde fiquei hospedado, eu via as ruínas de um castelo medieval, que certamente foi de grande inspiração para os três poemas. Eu pensava muito numa certa garota que havia conhecido há alguns anos, e que nunca mais havia tido contato com ela.

O poema "Parte 2 - O Espelho), foi escrito 6 meses depois do primeiro. Era início de fevereiro de 2001. Eu estava em Boston (EUA), num frio de -25 graus, e debaixo de muita neve. Ficava vendo a neve pela janela do quarto, onde tinha um espelho enorme... Bem, nem preciso explicar o resto.

O poema "Última Carta", foi escrito 6 meses (mais ou menos) depois do segundo, e foi o único que escrevi aqui no Brasil. À essa altura, eu já havia tido um rápido reencontro com a aquela garota que comentei no primeiro poema, já havia me apaixonado por ela de novo, e já tínhamos nos afastado mais uma vez. Fazer o quê? rs

Esses três poemas foram os primeiros que recitei várias vezes, em lugares diferentes, para públicos diferentes. Além do prazer de participar de alguns saraus, tive a alegria de transformá-los numa montagem teatral (monólogo), e apresentar num espaço amador, junto com outras pessoas que participavam de um projeto experimental de poesia e teatro.

Abraços a todos,
Romulo

O Vampiro Triste

Sou apenas um vampiro triste,
Não posso ver o sol,
Mas senti a luz que vinha do teu rosto.
Sou apenas um vampiro triste,
Às vezes um palhaço,
Às vezes um ator.
Sempre fui assim,
Mas agora estou cansado, já não sei o que sentir.
Por favor, me ajude!
Apenas me dê um pouco do teu sangue,
Apenas me dê um pouco do teu amor.

Sou apenas um vampiro triste,
E ninguém pode me ouvir quando choro,
Porque agora,
O motivo que me faz sentir assim,
Está muito, muito longe de mim.

Sou apenas um vampiro triste.
Mas se eu quisesse,
Eu poderia chegar lá em poucos segundos.
Porque meu corpo está aqui, mas a minha mente...
Eu não sei onde ela está.
Talvez esteja no teu país,
Talvez esteja no teu quarto,
Na tua cama.
Ou talvez apenas perdida no espaço.

Sou apenas um vampiro triste,
Mas eu brinco e me escondo no escuro do teu cabelo,
Protegendo meus próprios olhos do sol assassino.
Eu poderia lhe convidar para entrar em meu castelo,
Este estranho lugar que nem eu conheço.

Sou apenas um vampiro triste,
Mas eu poderia viver mil anos de alegria ao teu lado,
Voando com a tua alma, sentindo teu toque.
Ah, se eu pudesse te tocar agora,
Juro que minha pele nunca mais seria fria.

Sou apenas um vampiro triste,
Não é seguro estar comigo.
Mas naquela noite, você foi além.
Você viu o que sinto, viu minha alma,
Por debaixo de todas as minhas máscaras.
Você invadiu meus sonhos.
Fez-se a princesa desse meu castelo.

Sou apenas um vampiro qualquer,
E preciso de você, para continuar vivo.


Romulo Wagner de Souza
(Primeira parte da trilogia "O Vampiro Triste", escrita em 08/2000)

Parte 2 - O Espelho

Certa noite, aquele vampiro triste
Estava diante do espelho.
Era a primeira vez que o fazia,
Depois que tudo havia mudado em sua existência.
Ele dizia...

Eu não vou chorar,
Mesmo agora que sei quem eu sou,
Mesmo agora que sei o que me tornei.
Eu não vou chorar,
Mesmo agora que estou sozinho neste castelo,
Que as árvores já não crescem no meu jardim.

O que foi que eu fiz?
Já não há reflexo no espelho!
Minha pele ficou fria.
Mas alguém me explique,
Por que meu coração é ainda o mesmo?
De onde vem o calor que me queima o corpo?

Eu não vou chorar,
Mesmo sabendo que estou sozinho,
Mesmo estando mais triste do que nunca,
Mesmo agora que nada acontece.
Eu não vou chorar,
Mesmo sabendo que de hoje em diante eu não posso morrer,
Mas também não sobreviveria assim tão triste.
Eu perdi todos os jogos,
Eu perdi a mim mesmo!

Mas eu não vou chorar,
Mesmo agora que tudo o que eu quero
É esquecer das coisas que fiz,
É ignorar o que sinto,
É ser de fato frio,
É desistir de amar.
Mas o que fazer,
Se sei que tudo isso é impossível?

Eu não vou chorar,
Mesmo agora que não vejo mágica alguma.
Mesmo agora que ninguém vela meu sono.
Mesmo agora que minha vida está vazia.
Não tenho pessoa alguma com quem me preocupar,
E ninguém que se preocupe comigo.
Sou apenas um vampiro triste,
Uma palhaço que já não é engraçado
(ok, sei que já disse isso antes).

Eu não vou chorar,
Mas sinto tanto medo.
Pudera eu ter um feitiço negro,
Que suprimisse enfim tudo o que sinto.
Eu já não quero acreditar,
Mesmo sabendo que não consigo fugir disso.
Acreditei sozinho no amor,
Segui a estrada sinuosa dos meus sonhos,
E agora,
Estou vazio,
Estou isolado.

Não vou chorar,
Não porque eu não queira,
Mas apenas por já não ter mais lágrimas.
Todas se foram na noite passada.
E mesmo assim nada mudou.
Ainda espero por você,
Pelo seu sangue,
Pelo Seu amor.


Romulo Wagner de Souza
(Segunda parte da trilogia "O Vampiro Triste", escrita em 02/2001)

Última Carta

Havia alguém,
Me observando do meu próprio jardim
Enquanto eu falava comigo mesmo nos últimos dias.
Como você chegou aqui?
Eu não me importo...
Estava apenas se divertindo?
De qualquer forma...

Se eu tivesse uma chance,
Diria várias coisas para você.
Eu vi sua sombra,
Correndo entre as minhas árvores.
Doce sombra,
O que você procurava?

Se eu tivesse uma chance,
Eu faria você ver.
Que agora, com a tua ausência, tudo está igual... Quase igual.
Eu ainda estou sozinho, triste.
Esperando por alguém que sequer sei se vai chegar.

Se eu tivesse uma chance,
Eu lhe faria entender
Que se eu sou um vampiro triste,
Você... Ah, você é uma adorável bruxa.
Uma doce e adorável bruxa.

Então lhe pediria que ficasse um pouco mais,
E mostrasse enfim o teu rosto.
Porque veja,
O sol assassino já se põe,
O céu amigo aos poucos fica escuro.
É a noite chegando.
E agora... Eu sou o mágico!

Posso sentir teu cheiro de muito, muito longe,
Posso chamar você na voz do vento. Tocando teu pescoço, tua boca.
E você saberia que estes seriam os meus sinais.
Eu faria chover, se isso lhe fizesse sentir melhor.
Viraria o mundo de cabeça para baixo,
Só para você cair em meus braços.

Eu seria o chão, o vento.
Você me tocaria, eu beijaria você.
Sem que você me visse, e ainda assim sentindo minha presença.
Daria mil voltas em torno do teu corpo, até fazê-la voar,
Encontraria tua alma dentro de teus olhos,
E finalmente estaria frente a frente com você,
E você jamais se esconderia de mim novamente,
Teria então que mostrar quem é.

Se eu tivesse uma chance,
E lhe diria para não ter medo.
Você sempre foi o único perigo por aqui.
Você me conhece, já entrou nos meus sonhos.
Viu meu rosto através de todas as minhas máscaras.

E quanto a mim?
Tudo que conheço é tua louca e suave sombra.
Esta que voa sozinha mesmo quando, por medo, você não quer.
Esta que não se esconde,
Que ama com a mesma intensidade que deseja ser amada.
E ainda assim,
Eu sei que viveria toda a minha eternidade ao teu lado,
Mesmo que isso fosse apenas por mais um segundo.

Se eu tivesse uma chance,
Eu te diria que naquela noite triste,
Quando eu não via minha própria imagem no espelho,
Eu enxerguei uma estranha figura no meu jardim.
E ao te ver novamente,
Saberia enfim se você é real,
Ou se eu apenas sonhava.

Mas fosse você apenas mais um sonho,
Isso já bastaria para me alegrar,
Pelo simples fato de saber que ainda posso sentir isso.
E mesmo sendo um vampiro triste,
Sou ainda capaz de me apaixonar.


Romulo Wagner de Souza
(última parte da Trilogia "O Vampiro Triste" escrita em 06/2001)

Per Trovare il Camino





Romulo Wagner de Souza
(grafite e carvão sobre papel 45 x 55cm)

Sadness




Romulo Wagner de Souza
(pastel seco sobre papel)

2 de Copas




Romulo Wagner de Souza
(versão da carta do tarô,
em lápis sobre papel)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Pare Que Eu Vou Descer

Pare que eu vou descer!
Mais uma vez vou sair.
Explodo a bomba em mim,
E viro tudo do avesso.

Eu quero mãos que não me prendam,
Que não me façam parar.
Quero estar comigo mesmo,
E rir das tragédias que são só minhas.

Eu já sei que não me encaixo,
Eu não me enquadro.
Minha receita não é desse livro,
Meus sonhos são do outro lado.

Quero sair na chuva sem camisa,
Quero molhar meu peito.
E cair bêbado do meu próprio mundo,
No chão, numa sombra do meu jardim.

Nada pessoal, mas sei que não sou daqui.
Nem sei viver essas coisas.
Atrofio, murcho, perco a cor.
E quando vejo, já até virei a página.

Para que eu vou descer!
Quero sair andando, correndo, gritando.
Quero reencarnar em mim mesmo,
E brilha!


Romulo Wagner de Souza

Uma Outra Confissão

Por Deus, eu continuo cansado.
E noutro passo sem pensar, dei de cara com você.
Agora fuja, antes que você acorde.
Eu sou o grito sufocado de quem se perde.
Forte, e mesmo assim ignorado.
Não disfarce, apenas veja você mesma.

Sou apenas mais um homem.
Mais um, como tantos outros,
Fiquei cinza.
Numa escala qualquer entre a dor do sonho, e o prazer da perda.
Amargo,
Quase me esqueci o que era ser doce,
Cheguei onde queria, e me perdi.

Mas eu queria seguir em frente,
Então surgiu você,
Dando ao caos do meu delírio,
Um suspiro de lucidez.
Andei em círculos,
Voltei ao ponto de partida.
Paradoxo bizarro,
Vivo a escassez do que antes me sobrava.
Traí a mim mesmo,
Achando que isso era amar de verdade.
Fiquei frio, perdi a cor.

Mas agora vá!
Afinal, como todo o resto,
Isso é só uma brincadeira.
Mas se você entrar no jogo,
Muito pode acontecer.
E enquanto isso, por trás das cortinas,
Um novo universo vai surgir.

Dentro de mim, em cada canto,
Com o encanto de quem quase nunca sofreu.
Espalhado no meu corpo,
Como se fosse quase imaculado de qualquer coisa.
Profundo, em minha mente,
Como quem volta a ver a luz,
A sonhar, a sentir.


Romulo Wagner de Souza

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Depois do Surto

Nada haverá de ser o mesmo,
Depois de tocado pela mão de tempo.

Outros sorrisos surgirão...

A dor que inunda os olhos daquele que observa,
Há de ser a mesma causadora de uma paz diferente.
Quando caminhava em meio às estrelas,
Ele sonhava com a firmeza do chão maciço,

Onde um dia rastejou cansado, querendo voar...

O bem que se procura não está ao lado.
Nem no alto da torre, ou trancado no passado.

Minha paz e minha desgraça eu carrego no meu peito,
Do meu bem estar ou depressão sou o único causador.

Sou meu bálsamo, meu agressor...

Sou aquele que decidiu decidir sorrir.


Romulo Wagner de Souza
(texto escrito em 04/2003)

Por Enquanto, Raquel

Por enquanto a distância,
Por enquanto o silêncio.
Por enquanto você apenas nos meus sonhos,
Por enquanto você apenas no que desejo viver.

Ah, pudessem minhas palavras
Serem colocadas numa garrafa vazia,
E as ondas de um mar gentil
As arrastarem e depositarem
Nas areias da praia suave do teu peito.

Ou pudesse esse amor que aqui descrevo,
Ser enrolado aos pés de um pombo amigo,
E passear nas nuvens, com o vento
Até pousar em paz e elegância
Na janela aberta da tua vida.

Mas por enquanto a distância,
Por enquanto o silêncio.
Por enquanto você apenas nos meus sonhos,
Por enquanto você apenas no que desejo viver.

Mas este há de ser apenas um momento.
Uma breve suspensão de anseios tão antigos e tão novos.
Um intervalo de um sonho
Que só há pouco começamos a viver,
Que ainda não conhecemos sua completa extensão.

Eu não vou me perder de você!
Teremos tempo de dizer a todos que vencemos,
Teremos tempo de contar a nossa história,
E ainda antes disso,
Teremos tempo de viver o que sentimos.

Por enquanto a distância,
Por enquanto o silêncio.
Por enquanto você apenas nos meus sonhos,
Por enquanto você apenas no que desejo viver.

Mas você sabe, e eu sei,
Nós já somos o que somos,
E nossa hora bate à porta...


Romulo Wagner de Souza

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Convite

Não é um convite ao paraíso,
Eu não saberia te levar até lá.
Mas apenas um convite,
Para procurar comigo
Por aquilo que for mais parecido com ele.

Já conheço tua habilidade
Em se esquivar, em escapar.
Mostre agora tua força em olhar de frente,
Sem temer o que vê, e pode desejar.

Já conheço tua dança,
Teu jogo, teu charme.
Mostre agora quem é você,
Depois que as luzes se apagam,
Quando fica só você.

Estou cansado de histórias tristes,
Que nos esfriam, nos cegam.
Mostre agora que mesmo assim
Você não teme buscar ter o que perder.
Para depois brindar tranquilamente
O amor simples, merecido,
Mesmo sabendo que o sucesso dele sempre dependerá de nós.

Você é minha convidada!
Mas não vamos falar em dúvidas,
Em medos, em promessas.
O mesmo já aconteceu comigo.

Possamos romper os muros
Que nos cercam em nós.
Abrir os braços para aquilo que buscamos,
Que preferimos adiar, que fingimos não ver.

Um convite sem pretensão,
Senão permitir que coisas aconteçam.
Seja o sopro de um vento bom,
Que faça vencer a inércia de nossa razão.
E nossos temores nebulosos,
Depois de dissipados no ar,
Dêem lugar ao sol que nasce novamente.

Nunca terei todas as respostas.
Buscarei apenas viver o que sinto.
Jamais saberei o futuro,
Vou me contentar em doar o que sou a cada dia,
E a cada dia saberei melhor como te amar.

Não é um convite ao paraíso,
Mas apenas o chamado de alguém,
Que assim como você
Merece saber onde isso pode nos levar.


Romulo Wagner de Souza

Mudar

Tudo vira poesia.
Tudo é música e choro,
E tudo muda.

Mudo eu, muda você,
Muda o mundo, mudam todos,
Muda a música, muda o disco,
Muda o amor...

E o coração ainda é o mesmo.
Muda a flor, mudam os ventos,
Muda a vida, mudam os passos,
Mudamos nós...

E nós ainda somos os mesmos,
Aprendendo esquecer
O que um dia
Alguém nos ensinou sem avisar.


Romulo Wagner de Souza

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Desabafo de Outro Dom (Um Outro Cavaleiro)

Escrevo por dias melhores,
Mais leves e mais compactos.
Por momentos ensolarados,
Mais claros e mais felizes.

Sejam as palavras de quem luta,
Notícias da frente de batalha.
Que não pareçam mais duras do que são,
Nem tão simples quanto achei que seriam.

Todos os mortos se ergueram!
E o meu mundo ficou assim
Nas cinzas de tudo o que sou,
Numa pausa fria da vida.

Mas escrevo uma carta, um relato.
Destinada ao outro lado do muro,
A um tempo do porvir,
A quem serei nesse lugar.

Vou agora dar um descanso aos moinhos,
Vou dar uma folga para mim mesmo.
Deve ser essa a hora de deixar o campo,
Mesmo sabendo que não sei parar.

Já lutei contra todos os meus monstros.
Muitos deles eram reais,
Outros só faziam girar minhas engrenagens,
E estes eram sempre os mais difíceis.

Minha luta, de tão solitária ficou vã.
Embora seja a minha eterna causa,
A mesma causa de tantos corações.
Só sobramos eu e minha sombra.

Eram todos moinhos!
Eram todos eu mesmo!
Cada dragão, cada besta,
Cada fera que tive de vencer.

E mesmo o amor que eu sonhava,
Que acreditava trancado em alguma torre.
Esteve sempre tão próximo,
Tão dentro de mim.

Então sigo em frente pela tarde,
Ou seria enfim o amanhecer?
E nessa hora em que as coisas finalmente acontecem,
Volto para casa, colhendo as flores do caminho.


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita hoje - 02/08/2010)

Tenha Fé

Quando você se sentir perdida, confusa...
Lembre-se que existe um Deus, que é todo Amor,
E que acolhe a cada um de Seus filhos na segurança de Sua Luz Eterna.

Sempre teremos diante de nós
Todos os ingredientes necessários à nossa felicidade.

Quando os caminhos parecerem nebulosos,
Lembre-se que parte dessa Luz foi colocada dentro de você
E a melhor bússola nesta viagem, sempre será o teu coração.

Saber ouvir nosso íntimo, e aceitar nossa imperfeição,
É o roteiro mais seguro para nossa paz de espírito.

Quando você se sentir culpada, ou em dívida,
Lembre-se que só poderemos amar aos outros,
Depois de amarmos e aceitarmos a nós mesmos.

O sentimento de culpa vem exatamente da distância
Que estabelecemos entre nós e nossos corações.

Autoflagelo nada tem a ver com martírio redentor.
Ao contrário, este é a fuga que criamos
Para nos furtarmos da obrigado de sermos felizes,
E das atitudes que a tarefa nos demanda.

Somos frágeis,
Mas já somos maiores do que pensamos.
Somos limitados,
Mas já podemos ir muito além do que fomos antes.

O Universo é algo tão grande e tão perfeito,
Que há necessidade de julgamentos pontuais.
Deixemo-nos guiar pelo diz nosso coração,
Dediquemos nosso amor com fé e coragem na direção que ele nos aponta.
Tudo que fazemos com sinceridade
É digno das mais altas bênçãos do Céu.

A felicidade é mais simples do que pensamos,
Enquanto a vida já por só complicada o bastante
Para ainda ficarmos criando mais constrangimentos para nós mesmos.
Aceitemos o que sentimos,
Vivamos o que sentimos,
Sejamos sinceros conosco.
E assim tudo caminhará para o melhor,
Para a paz,
Para o Amor.


Romulo Wagner de Souza

sábado, 31 de julho de 2010

Desculpe o Tumulto

Desculpe ter voltado só agora, que já é noite,
Ter perdido o pôr do sol, a fase mais simples.
Mas minha viagem foi tão longa, tão cheia de curvas,
Que só agora consegui voltar onde tudo começou.

Não trago apenas tumulto na bagagem,
Mas venho pôr ordem às coisas que deixei no ar.
Se a hora é delicada, sei que o momento é decisivo.
E nesse resgate tão recíproco, tão natural, tão lindo.
Guardei para você as flores que fui encontrando no caminho.
Desculpe Raquel, só queria lhe dizer que te amo.

Por tanto tempo eu busquei um Norte.
Um dia eu não queria partir, mas tive que ir.
Noutro eu não sabia mais como voltar, eu não via.
E ainda assim sou o mesmo, batendo hoje à sua porta.

Quero um leito de paz, onde repousem nossos corações.
Cansados das coisas que viveram, e daquilo que não tiveram.
Possamos dividir um lar, as nossas horas, nossos sorrisos.
Alimentados por tudo de bom que fez de nós o que somos,
Encorajados pela presença um do outro, de volta às nossas vidas.
A segurança que você busca está nos meus olhos, nos meus braços abertos.

Seja esse o descanso merecido após a longa espera.
A espera de sermos felizes, de vivermos o que sonhamos.
Estar com você é me reconciliar com a vida,
Porque eu sei que nasci para ser teu homem.

Por isso eu peço que me deixe entrar, que aposte em nós mais uma vez.
E em troca eu lhe ofereço minha força, minha coragem e meu amor.
Feche os olhos só mais uma vez, e deixe aquilo que já não te basta,
Porque eu sei que juntos somos mais que isso.
Porque tudo em mim me lembra você, me leva à tua direção,
E é ao teu lado que quero viver as surpresas que a vida ainda me reservar.

Seja a senhora do meu lar, a mãe dos filhos do nosso amor,
Seja o brilho da minha casa, a razão de eu voltar feliz todos os dias.
Seja minha inspiração, e mais que isso, minha realidade.
Desculpe o tumulto Raquel, mas precisava muito dizer que te amo.


Romulo Wagner de Souza

Buscamos

Buscamos aprender com nossos erros,
Crescer, amadurecer.
E ainda buscamos por contos de fada,
Que contrariem todas as nossas convicções.

Buscamos ser nós mesmos,
Donos de nossas razão.
E ainda buscamos um amor assim tão grande,
Que sequer sabemos viver.

Buscamos segurança,
Ou alguma coisa que alivie a nossa busca.
Buscamos uma chuva de verão qualquer,
Que refresque a vertigem seca de nossos dias.

Buscamos vencer.
Não importa se a eles, ou a nós mesmos.
Buscamos ser coerentes,
Mesmo sem saber o que tanto buscamos.

E eu... Que já nem sei o que procuro,
Busco qualquer coisa que ponha a caminho..

Buscamos alguém que esteja nos procurando,
E que então nos salve de nós mesmos.
Buscamos quem drible as nossas defesas,
E nos faça viver tudo aquilo que esquecemos.

Buscamos reconhecimento, sucesso.
Buscamos ter dinheiro,
Para depois,
Buscarmos transcender a ele.

Eu também busco essas coisas,
Como uma criança velha,
Feito todas as outras...

Buscamos sentir sem nos prendermos,
Tentando não mostrar o que buscamos,
Numa nova dança sincronizada,
Onde ninguém mais corre riscos.

Buscamos.
Somente porque somos feitos de buscas, de conquistar.
E aspiramos o momento
Em que encontraremos aquilo
Que dará sentido a tudo que buscávamos.


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita em 04/2005)

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sendento de Vida

A vida é uma estrada sinuosa
De caminhos estranhos e inesperados.
A vida é estranha e perfeita.

Que eu não me esqueça disso em momento algum!
Quando abri os olhos pela primeira vez neste planeta,
Foi para encontrar e me envolver com o imenso mundo que me cercava.

E hoje aqui estou.
Então que sonhos não se percam em minha cabeça.
Que o vento forte que vem do mar,
Me carregue por caminhos que ninguém passou.
Que a vontade intensa que me consome.
Jamais permita que eu pare de andar.

Porque eu sou forte!
E em paz com a minha alma eu sou gigante.
Nasci para ser névoa que paira em todos os arredores.
Nada pode me parar.

E não há de ser o pesar da dor,
Do medo, ou da própria insegurança,
Que me farão cair por terra.

Tenho um pacto com a vida!
E sei que sempre haverá um novo apoio qualquer,
Cada vez que eu assim precisar.

Nasci para ver o sol brilhar,
Com sua luz divina,
Sua paz contagiante.

Nasci para ver a noite cair,
Com seu silêncio mágico,
Sua paixão explosiva.

E sei que o universo há de me soprar
Por caminhos assim tão novos,
Porque já cheguei longe demais para parar.

E ao final, eu sei que vou vencer!
Porque em paz e comunhão com meu ser,
Eu fiz, e o fiz grande.

E aqui estou agora.
Mesmo que ferido, disposto,
Mesmo que assustado, com fé,
Mesmo que com medo,
Com a certeza de que hei de chegar além.

Porque sei que a vida e o Deus
Que me trouxeram até aqui,
Não o fizeram para me deixar sozinho nesse caminho.

E sei que ele, com Sua mão gentil,
Há de estar comigo,
E me levar por caminhos que somente meu coração conhece.

E então,
Tudo ficará em paz!


Romulo Wagner de Souza
(texto escrito em 2001)

Solidão a Dois

A solidão é peso que nos reduz,
Margens que nos estreitam em nós,
Secura que nos faz estéreis.
Sem graça, sem alento,
Sem cor, sem poesia.

Tão cruel quanto a solidão a dois,
Dos que coexistem sem se notarem,
Dos que fingem não verem, não perceberem
Que já não se pertecem, não se enxergam.
E mesmo numa mesma cama,
Habitam mundos tão distantes.

A solidão é toxina invisível,
inodora, mas amarga - anestésica.
Nos envenena sem notarmos,
Faz de nós uma outra coisa qualquer.
Diferente do que éramos,
Diferente do que somos.

A solidão nos vence pelo medo da solidão.
Nos traímos e nos vendemos por tão pouco,
Aceitando a ausência como que compensando o vazio.
Viciados e dependentes da solidão do lar,
À qual ficamos acostumados,
Achando que esta não é a mesma solidão da vida.

Faz de nós miseráveis de nós mesmos,
Avesso de tudo que fomos um dia,
Convence que somos mais fracos do que somos.
Faz do novo e do belo um tormento ainda maior,
Inertes diante das chances de sermos felizes,
Mais assustados que com a dor discreta de cada dia.

A solidão é o centro de gravidade que nos prende.
O quarto fechado que nos aprisiona, que nos tira a visão.
Ao ponto de não mais percebermos que estamos sós,
Apenas por haver um outro corpo, outra criatura cega,
Que de tempos em tempos nos toca,
No mesmo escuro sem vida e sem paixão.


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita hoje - 30/07/2010)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Para Quem Quiser

Vou cantar,
Palavras doces, de dor, de perda, de paixão.
Para quem quiser ouvir,
Eu vou andar.

Vou gritar,
Aos ouvidos surdos desse corpo que se arrasta,
Palavras de amor, de sonho, de erro, de solidão.
Para quem quiser sentir,
Eu vou falar.

Vou chorar,
Caminhando até o fim desse mundo em busca de algo que me esfrie a pele.
Mas agora, o sol já não me acorda,
Já não sinto a madrugada,
Os dias passam sem se notar.
Eu vou roubar.

Vou esquecer,
Vou arrancar meu coração desse leilão sujo.
E trazer flores, estrelas, chuva e poesia,
Para quem me oferecer um abrigo qualquer,
Um peito, um corpo, um cheiro.
Eu vou cantar.

Vou matar,
Esquecendo que essa frieza não é minha,
E nada mais me pertence.
Vou buscar o breu no fim da vela,
A paz depois do muro,
E voltar ao lugar onde me esqueci,
Eu vou sorrir.

Vou amar,
Como poeta, como louco, como anjo,
A quem der cinco minutos de vida
A este que anda sem enxergar.
A quem trouxer sorrisos novos, sonhos impossíveis e jogos perigosos.

Enfim eu vou cantar,
Vou chorar, sorrir, amar, matar, gritar, vou enlouquecer!
Mas antes,
Para quem quiser,
Vou me fazer sentir...


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita em 03/2003)

Queda Súbita

Sentado
No chão frio de uma sala muda.
Na fé de que um mesmo mal
Não pudesse acontecer duas vezes,
Eu caí.

A sala
Gira pesada enquanto sombras dançam.
Num silêncio denso que sufoca,
Nas vertigens tristes de um sonho vão,
Eu caí.

Senti,
Qual um presságio sombrio, turvo.
Numa ânsia que envenenava meus sentidos,
Lá se foram meu sono e minha paz,
Eu caí.

O golpe.
Subjugado pela realidade, me machuquei.
Num reflexo primitivo, me embruteci.
E a ternura deu lugar à mágoa, que se tornou rancor.
Eu caí.

A dor.
Qual torpe bizarro se espalhava em mim.
Numa onde de calor, de frio, de suor.
Em cada fibra do meu corpo inerte,
E caí.

Depois,
Como ao final do sonho que foi um dia,
A verdade confusa pairava nos fatos.
Já baixei minhas armas, meu orgulho, meus joelhos.
Eu caí.

Agora,
Sigo movido pelas coisas do dia a dia.
Eu caminhava em paz quando você me atingiu,
Fio abatido por algo que sequer vi chegar.
Eu caí.

Ao chão,
Olhando o teto estranho de uma sala muda.
Imerso na solidão a que me vi lançado.
Suspenso entre o choque e o pavor,
E caí.

Não sei,
Mas o raio que me acertou já se foi.
Sem deixar rastro, virou as costas e partiu,
Ignorando a dor que fez - praticidade.
Como se o sonho jamais o houvesse sido.
E se foi mesmo um engano, quem será você?

Mas volto a mim calado, sem eixo, sem paz.
Com pesar, reconheço meu erro, minha dor.
Deixo ao ar.
Já não há o que fazer
Porque eu sei,
Eu caí...


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita em 04/2005)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Versos, Guerras, Medos e Amores

Há versos que são pequenos,
De poucas palavras.
Outros que são apenas vazios,
Que nada dizem.

Há guerras que são santas,
Frias, químicas, biológicas.
Mas há outras que acontecem em silêncio,
Guerras que ninguém vence.

Medos.
Há os que são infantis, ingênuos.
Mas há outros,
Que nascidos depois de maduros,
Por serem parte da mesma dança lógica,
Tornam-se nossos companheiros diários.

E os amores,
Do platônico submisso
Ao conveniente do instinto,
Mudam tudo o que há ao redor.

E há você.
Descrita.
Em versos secos - subjugados,
Em preces poéticas - angelicais.
E ainda assim,
Hoje é guerra.
Justificada por anseios de paz.
Em palavras mudas,
Em silêncios distantes.
Guerra que aniquila.

Fosse apenas loucura.
Mas insiste em ir além,
É o único sonho de amor,
Meu surto de lucidez.
Desejo do meu desejo,
O amor real - sem máscaras.
A conquista,
Que de tão diária,
É natural.


Romulo Wagner de Souza

Poesia

A poesia é o sonho vão de quem se ilude.
Desejo condensado em palavras tão absurdas quanto ele.
Sangue de tantas cores,
Que não esconde a dor de quem derrama.

A poesia é o grito ignorado.
Revanche de tudo que se sente, e não se pode negar.
Ponto mais escuro dentro da sombra densa,
Onde até a firmeza do chão se faz distante.

A poesia é o amor que não se vive.
Êxtase sublimado de uma paz que nos escapa.
Perfume de rosas mais belas que as rosas,
Exalando pelos poros de um corpo maior que nós.

A poesia é a graça de respirar.
Prazer de ser o que se é sem medo - a dança livre.
Onde gritamos nossos ódios e rancores,
Tão honestos quanto os devaneios mais bonitos.

E ainda assim são só palavras.
Como a própria matéria bruta que nos cerca o espírito,
Pontos e sinais estranhos,
Que só de longe insinuam a beleza dos sonhos que os animam.

Eu nada crio.
Qual um mudo, balbucio.
Em termos pobres, simples, crus,
Tudo aquilo que já existe em mim.

Não sou que faço, mas a poesia é que me leva.
Qual bengala de um velho cego me conduz,
Aos tantos cantos do meu ser, meu peito, meu ódio e meu amor.
Enquanto canto o que não sei dançar, e vivo o que não sei sentir.

E ainda assim é apenas poesia.
Lágrimas de um choro seco,
Peso de uma dor imensa,
Sorriso que não cabe num rosto,
Orgasmo que não se limita à cama,
Amor maior que o coração que o sente,
E é apenas... Poesia.


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita em 2008)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Carnaval de Veneza

Danço só,
Num salão de pares já formados.
Danço com minha própria sombra.

Danço só,
E quando fico mais velho,
É minha solidão que faz aniversário.

Despido de minhas máscaras,
Nesse bloco eu desfilo nu.
Danço só.

Miserável que me tornei,
Mendigo o beijo frio, embriagado.
E nada mais aparta o vazio que já é meu.

Finda a festa,
O palco ruidoso volta a ser cômodo mudo.
O figurino agora é trapo sem vida.

O caminho de volta é escuro,
Cheio de perigos mais reais.
Caminho só...

Envergo a capa elegante,
Enquanto meu corpo é invisível em suas formas.
Caminho só.

A lua,
Agora não mais que cúmplice vulgar,
Enche de vazio e luz exausta
As ruas estreitas por onde passo.

Danço só.
Caminho só.
Em passos largos,
Em giros ébrios.
Enxergando fora o que existe dentro,
Sentindo dentro, o que se ausenta fora.

E ainda assim,
A despeito de tudo que se reclama,
Isso é apenas um momento.


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita em 23/05/2004)

La Finestra del Pierrot

Seu Anjo, Seu Homem


Quero estar contigo,
E lhe envolver num abraço constante, doce de harmonia.
Mesmo que às vezes você não veja, mesmo que às vezes, quase não perceba,
Lá estarão meus braços.
Cercando o teu corpo e,
Ao mesmo tempo,
Levantados ao céu, pedindo ao Pai que lhe proteja.
E sendo assim,
Vou pedir aos outros anjos que lhe acompanhem,
Levando a você os meus beijos,
Em suaves sopros na sua nuca,
Te arrepiando as costas em toques sutis,
Como se fossem minhas próprias mãos.
Eu te quero bem,
Tal como teu anjo deve querer...

Quero estar contigo,
E te molhar as costas com meu suor quente.
Quero te sentir tremer, enquanto,
Lenta e profundamente eu invado o teu corpo.
Lá estarei eu
Envolvendo a beleza de toda a tua carne,
Embriagado do teu cheiro úmido.
Para então,
Junto de você explodir em desabafo, alívio e êxtase,
E dançar entre as cores que vemos nessa hora.
E depois desse súbito e profundo delírio,
Quero em silêncio lhe dizer o quanto te amo.
Tê-la exausta e leve, repousando nos meus braços, contra o meu peito.
Eu te desejo,
Com toda a paixão natural carne.

E somente dessa forma,
Explorando e me saciando desses dois pólos do mesmo sentimento,
Eu sei que realmente estarei contigo.


Romulo Wagner de Souza

Tenho Andado Distante

Tenho Andado Distante

Num silêncio estático,
Imóvel, sem cor,
Apagado.

Tenho andado.

Sob o sol que seca,
Terra dura onde quase nada brota,
Brisa feroz que esmaga o que germina.

Andado distante.

Em passos curtos,
Cansados de tropeços.
Sonhando qualquer coisa leve,
Que confunda por um instante
O peso que me sufoca.

Tenho.

Mesmo sem possuir, eu sei.
Bastará um olhar,
E já estarei vivendo
A beleza que cerca a tua beleza,
A alegria que antecede o teu sorriso,
O assunto de tuas palavras,
Ainda antes de te ouvir,
Antes de conhecer você.

Andado.

Na paradeiro confuso
De quem se foi sem pressa.
E tendo estado em cada canto,
Não encontrou aquilo que buscava.
O lugar onde haja o abrigo
Do inusitado dentro do esperado,
Sob um céu que só se sente.

Distante.

Entre aqui e lá.
Perto do invisível,
Logo após o eterno de tudo que já se foi.

E fosse você o tiro de liberdade!
Ainda que com o peito ferido,
Mesmo que sangrando,
Eu sorriria.
E ainda que caindo,
Eu voltaria a viver.
E por um último instante eu seria novamente
Tudo aquilo que jamais deixei de ser.


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita em 03/2005)

Fim do Inacabado

Deixo a plateia antes do fim do espetáculo,
Viro a página antes de ler o texto,
Acordo antes de terminar o sonho,
E tudo isso já parte de mim.

Então, quando nem o torpe apaga minhas lembranças,
Escureço ainda antes do pôr do sol.

Minha poesia não chega ao fim,
Me acostumei a ver anseios terminarem em vazio.
Não escrevo, não penso, não sinto.
E quando vejo, desisto de enxergar
Em brincadeiras que há muito não me divertem.

E sei que me tornei parte de tudo o que odiava,
Caminhando com pernas que não são minhas.

Já não corro até a linha de chegada,
Já não chego, já não fico.
E num ponto qualquer,
Entre o início e o fim das coisas que me cercam,
Ergo um castelo de fumaça,
Observando... Pelo outro lado do espelho.


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita em 05/2005)

Talvez Ele Tenha Me Traído

Talvez ele tenha me traído,
Talvez tenha traído a si mesmo.
Escureceu, ficou frio,
Ficou duro, amargo.

Tão cansado após o fim,
O último golpe que sofreu.
Fez-se invisível, desapareceu,
Em tudo eu registro a sua ausência.

Logo agora que o sonho se tornou real,
Logo agora que cheguei aqui.
Tão silenciosamente ele se foi,
Que tanto demorei a perceber.

E agora então
Nada tem o mesmo gosto,
O mesmo cheiro, a mesma paz.
Principalmente eu não sou o mesmo.

Dessa vez eu realmente me perdi.
Absorvido pelo lado mais turvo,
Sou aquilo que temia me tornar,
Perdi o fio de meada, a referência.

Chove em mim e nos meus crimes.
Crimes contra a própria inocência.
E quem sangra sou sempre eu,
Estou envolvido nos dois lados.

E ele que um dia esteve em tudo,
Hoje de nada faz parte.
A não ser em breves surtos,
Quando surpreso, eu me vejo sensibilizado.

Pouco sinto desde que se foi,
Nem sei como isso aconteceu,
Mas em algum momento triste
Abriu-se um rasgo em meu peito,
E por ali ele saiu... Saiu...


Romulo Wagner de Souza
(poesia escrita em 06/2007)

Meu Novo e Mais Antigo Sonho


Permita que eu seja o teu último par nessa festa,
Aquele com quem dance a última valsa, o que te leve pra casa.
Permita que sejam meus os olhos que você encontre
Quando tudo parecer irremediável e cinza.

Nem sei como nunca lhe escrevi antes.
Ou será que todos os meus poemas só falavam de você?
Como pude dormir todas as noites nesses anos.
Teria sido apenas na esperança de sonhar contigo?

Eu que estive tão longe, em tantos espaços.
Estar hoje ao teu lado é desafiar o tempo.
Como se ele tivesse se esquecido de passar para nós,
E nesse descuido inusitado, eu sei que ainda somos os mesmos.

Talvez de fato o tempo tenha parado
Para esperar que acertássemos nossos passos.
Ou talvez depois de uma volta inteira de nossos astros
Eu esteja novamente aqui, lhe dizendo o meu nome.

Eu pensei em resgatar você, mas eu é que fui salvo.
E em poucas horas eu era novamente o que sempre havia sido.
E você, a mulher, a garota, aquela que um dia me fez voar,
Como se enfim tudo que era latente em nós voltasse à vida.

Quero enfim o final feliz do meu sonho mais antigo.
Quero acordar amanhã do teu lado, em nossa cama,
Ver você ainda dormindo, e saber que isso era o que eu buscava.
Quero teu cheiro nas minhas roupas, tua pele no meu corpo.

Essa há de ser a maior de todas as minhas aventuras
Uma vida tranquila e segura ao lado da mulher que sempre amei,
E um dia rir desses anos em que não fui teu,
Como se eles nunca tivessem passado de meros e poucos segundos.


Romulo Wagner de Souza

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Eu Conheci Uma Garota


Eu conheci uma garota,
Há muitos anos. Muitas marcas atrás.
Ela era tão alegre, tão solta, tão maluca.
E eu era apenas um menino, tão menino.
Ela era aquilo que eu queria ser,
Mais esperta, mais ousada, mais leve.
Era a primeira que eu via uma mulher
Com os olhos de quem deseja, de quem sonha.
Ela me deu um beijo, sorriu e dançou.
Era tudo tão simples, e mesmo assim impossível.
Eu nada podia fazer, senão chorar por aquele rosto
Que só depois percebi que o buscaria em tantas outras faces.

Ela ficou triste, mas me disse que não podia mais...

Eu encontrei uma garota,
Numa casa que era também uma prisão.
Ela estava tão triste, tão presa, tão acomodada.
E eu era apenas um rapaz, um sonhador.
Ela era aquilo que eu queria ver de novo,
O sonho que eu queria dormir. Eu queria notícias.
Era a primeira vez que eu via uma pessoa cinza
Alguém que sofria em silêncio, que não lutava.
Ela me deu um beijo, e chorou nos meus braços.
Era tudo tão difícil, e mesmo assim eu me encantava.
Eu tentei trazê-la comigo, fazê-la sorrir, dançar.
E só depois percebi que eu é que ficava no escuro, que sofria.

Ela lamentou, mas me disse que nunca mais...

Eu fui visitado por uma garota,
Numa terra distante, onde tentei fazer um lar.
Ela estava tão risonha, tão presente, tão quieta.
E eu era apenas um jovem machucado, sangrando.
Ela era aquilo que eu já não acreditava, não sonhava.
A armadilha onde antes me precipitei, onde caí.
Era a primeira vez que eu não conseguia me envolver
Mesmo por alguém que antes me fazia voar.
Ela me deu um beijo, dormiu comigo e sonhou.
Era tudo tão tranquilo, e mesmo assim eu não via.
Eu disse que já não podia ser. Eu já era outro.
E só depois percebi que mais uma vez eu perdia um sonho.

Ela chorou, mas me disse adeus...

Eu encontrei uma mulher,
Tantos anos depois, tão cheios de marcas.
Ela estava tão cativa, mas tão surpresa em me ver.
E eu enfim era um homem, determinado a poder amar.
Nós éramos aquilo que tanto buscávamos, tanto queríamos.
Um reencontro com nossa própria natureza, nossos sonhos.
Era a primeira vez que nos parecia possível e permitido,
Mesmo tendo ainda uma última prisão para se escapar.
Ela me deu um beijo, almoçou comigo e me fez feliz.
Era tudo tão fantástico, e mesmo assim real.
Eu disse que nunca mais iria embora, que ficaria ali,
E na mesma hora eu sabia que enfim fazia a escolha certa.

Ela ficou vermelha, sorriu pra mim e me disse sim...

Eu conheci uma garota que virou mulher,
Enquanto em ruas paralelas e distantes,
Eu que era só menino, me tornei um homem.
Passamos por tantas coisas à distância, sem saber do outro
E mesmo assim quando nos olhamos ainda podemos nos reconhecer
Mais vividos, mais fortes, mais maduros,
E ainda com os mesmos olhares daqueles tempos tão antigos.
Ela diz que lhe dou ânimo para fazer o que precisa,
Enquanto sinto que ela me dá paz para esperar,
Para enfim ficarmos juntos, para sermos nós,
Para dormirmos e acordarmos na mesma cama, no mesmo lar.
E quem poderá nos julgar, dizer o que é certo?
Quem poderia entender uma história assim tão rara, tão bonita?
Nossos sorrisos são mais bonitos quando juntos,
De mãos dadas hoje somos invencíveis,
E em nosso céu finalmente nasce um sol de mais amor,
Do amor que sempre sonhamos viver juntos.


Romulo Wagner de Souza

Eu Via Flores

Eu via flores.
Depois de tanto tempo longe delas, eu via flores.
Pudera eu então retribuir de alguma forma o bem que esta me fez.

Seu fosse como a flor,
Mandaria minhas pétalas para cobrir e enfeitar o teu caminho,
Mandaria meu perfume para fazer ainda mais leve a tua essência.

Se eu pudesse ser
Talvez a flor do sol.
Lançaria minhas folhas quentes para aquecer a tua tarde fria.
Talvez o vento,
Te envolveria com meus galhos invisíveis numa dança nova
Para transformar tua atmosfera.

Ah, se eu pudesse ser como a flor...
Num simples silêncio
Eu te diria o quão bem desejo que você esteja,
E na mais absoluta falta de palavras
Te lembraria do quanto você é especial.


Romulo Wagner de Souza
(escrita em 2000)

domingo, 25 de julho de 2010

Condição da Vida


Seguras são as frutas de resina,
E as flores de plástico,
Não apodrecem,
Não murcham.
Não perfumam,
Não alimentam.

E nesse estranho vai e vem de ideias,
Não sei ao certo de onde vem o que escrevo.
Reflito se sou realmente contemporâneo,
Ao apenas um fragmento de algo antigo, que já passou.
Fico confuso com minhas próprias emoções,
Perdido entre anseios, chegadas e partidas.

Mas seguras são as frutas de resina,
E as flores de plástico.
Não apodrecem,
Não murcham.
Não perfumam,
Não alimentam.

E tudo que for diferente disso,
Será chamado Condição de Vida.
Onde pairamos
Quase que náufragos embriagados,
Numa busca incessante por um Norte
Que nem sempre acreditamos existir.

E mesmo sabendo disso,
Entre uma coisa e outra,
Eu escolho... Sentir.


Romulo Wagner de Souza

Seja Você


Seja a imagem que me paralise.
Que me faça perder a voz, a fala,
E me confunda o raciocínio ao te olhar.
Tirando de mim toda lógica que eu pense ter.

Seja minha musa, minha inspiração.
Onde meus olhos fiquem presos por encanto,
Tentando roubar os traços que empresto
Aos quadros que me lembrem você.

Seja o motivo das minhas mãos tremerem,
Do vacilo ingênuo dos meus planos,
Das noites que eu fique sem dormir.
Seja aquilo que esteja sempre em mim.

Seja o assunto comum das minhas conversas,
Das poesias que ainda quero escrever,
Dos sonhos que eu tiver nas noites como esta.
Seja meu pensamento, meu cotidiano.

Seja minha amante, razão do meu desejo.
Senhora do meu corpo que tão conheça.
As formas que fascinem sempre mais,
Seja minha cúmplice, minha amiga.

Seja a atração da minha boca, dos meus sentidos.
O beijo que me mate a fome, a sede, o sono,
A confusão da minha pele, meu arrepio.
Seja o abraço que me faça sentir maior.

Seja minha vontade de ser melhor,
Que me faça querer ser mais
Apenas por não caber em mim.
Seja o sorriso que me faça sorrir.

Seja meu amor, minha alegria, minha mulher.
Meu tormento, e solução para minha paz.
Seja aquela que caminhe comigo.
E acima de tudo... Seja você!


Romulo Wagner de Souza

sábado, 24 de julho de 2010

Teu Fã


Eu sou fã dos teus olhos cor de outono.
Curtos como as tardes de inverno.
Alegres feito manhãs de primavera,
Brilhando como um sol de verão.

Fã do teu sorriso largo de domingo,
Que pousa ou paira na tua boca pequena.
Em lábios fortes que dançam no teu rosto.
Teu sorriso que me deixa mudo.

Fã dos teus cabelos que eram curtos,
E hoje caem despreocupados nos teus ombros.
Moldura jocosa do teu semblante,
Contrastando a seriedade que me fulmina.

Fã dos teu corpo - braços e pernas.
Do encaixe, da fusão no meu abraço,
Da leveza que te escapa em cada gesto,
Das mãos gentis que me tocam sem silêncio.

Isso pra não falar do teu cheiro, teu perfume.
Que me confunde os sentidos mesmo quando distante,
Da inveja que sinto das roupas que te envolvem,
Que tocam a tua pele, e se molham do teu suor.

Fã da tua leveza, teus modos delicados.
Das guerras que trava dentro de você,
Entre a força intensa do que sente,
E a censura desmedida que tua razão impõe.

Fã da tua imagem, onde fixo meu olhar.
Que me deixa sempre sem palavras, sem ação.
Do impacto que o teu silêncio causa em mim,
Da paz que você transborda e que me entorpece.

Gosto de ver você chegar assim tão discreta,
Qual se fosse o outro pólo da minha agitação.
Quando me beija à distância, com tanta graça.
Gosto muito do que sou, quando estou com você.


Romulo Wagner de Souza

Procura-se

É a minha ressaca,
Revolta do meu próprio corpo,
Minha vontade de partir,
Meu olhar vazio.

Cansado de transgredir,
De estar na contra mão.
Mas se tudo ainda me sufoca,
Quando eu vou estar em casa?

Estou cansado de mim mesmo,
Estou cansado dos meus.
Tudo já se foi e já voltou tantas vezes,
Que mesmo eu devo ser uma mentira.

Por tudo isso,
E por coisas que vão além do texto,
Além da palavra, do som,
Procura-se!

Procura-se alguma alma perdida
Que toque alguma parte doce do meu ser.
Que me inspire, que expire.
Algum perdido que me salve.

Procura-se um projeto,
O sonho do início de janeiro.
Que possa fugir às páginas do calendário,
E fazer o tempo parar em mim.

Procure-se um sorriso largo,
Ou aquele beijo que eu perdi na história.
Último laço do moço bom que se foi,
Procura-se inocência, o estado puro.

Procura-se um motivo novo,
Uma página em branco,
Um dia de sol.
Procura-se retomar o fio...


Romulo Wagner de Souza

Plenitude

Eu busco a genialidade da forma sem forma.
Manifestação física do abstrato que se faz tangível.
Busco um pedaço de papel qualquer,
Onde caibam meus sonhos e meu horrores.

Eu busco por aquela que me disse não,
Detro dequela que sorriu pra mm.
Ao lado das que me deram prazer,
Junto de todas que me fizeram chorar.

Busco todos os amores, dentro de um só amor.

Eu busco a coragem dos antigos heróis,
Que romperam com tudo que era convencional
Pela loucura de viverem seus sonhos, suas lutas.
Mesmo sabendo que hoje já não existem heróis assim.

Eu busco a forma de viver em dois mundos.
Um pé neste - o outro do outro lado, abaixo, acima.
Busco a fada rosada entre as pernas dela,
Um pedaço meu que cresça e ganhe vida no seu ventre.

Eu busco o meu tormento naquilo que me dá paz.
O que me enverga o corpo e estremece a alma.
A melodia que só existe em mim, que me faz voar.
Busco ser aquilo que realmente sou.

Eu busco a fala acanhada dos que temem,
As lágrimas dos que suspiram de prazer,
O andar torto e manco dos que correm contra o vento.
Eu busco a paisagem que só vejo quando fecho os olhos.

Eu busco o profano que caminha com o sagrado.
Avesso do que é real, ou que chamamos assim.
A vida que vai além da própria vida,
O velório dos mortos, na festa dos que nascem.

Eu busco estar comigo, para abraçar a todos.
Numa canção que não se ouve, ou que se ignora.
Busco o meu passado mais remoto,
Na brisa leve dos dias que ainda hão de vir.


Romulo Wagner de Souza

Among the Bad Ones


Lápis Aquarela sobre Papel
(65x45cm)

Romulo Wagner de Souza

Chi è nascosta?


Chi sará quella ragazza?
Nascosta dietro le tue maschere,
Dietro i sorrisi.

Chi sarà quella che sempre parla,
Sensa mai dirmi qualcosa per davvero,
Qualcosa che faccia senso.

Chi sará quella donna che trovo oggi,
Da tanti anni conosciuta,
Ed ancora una strana per me.

Chi sará quella che mi ha sempre nelle mani,
Che sembra sempre di scherzare
In mezzo alle imagine dei miei sogni perduti.

Dimmi oggi, dimmi adesso,
Chi sei tu?


Romulo Wagner de Souza